Tenório

Quando Tenório chegou à praça da Matriz já passava das quatro da tarde. Era preciso tomar cuidado para que o acampamento estivesse bem escondido antes de sair. Além disso, ele precisava conhecer o terreno. Para isso, achar a Negra Maria era indispensável. Começaram pelo lugar mais óbvio, a venda da D. Lindoca.

– Arre D. Lindoca, quanto tempo.

– Mas que faz tempo mesmo, seu Tenório. Quié que o sinhô tem feito de bão da vida?

– Arrumei trabaio de capataz duma fazenda lá em Pilar.

– Mas se achegue, cês qué bebê arguma coisa?

– Bão, já que a sinhora insiste, nóis vai de amargosa mesmo, é ou não é, cambada?

Tenório tomou um trago da cachaça com raízes, especialmente produzida na região. Estalou a garganta e disse:

– Ê trem bão, d. Lindoca. E como vai as pessoas? O padre, a D. Flor?

– Todo mundo bão, na paz de Deus.

– E a Maria Preta?

– Que Maria Preta?

– A que veio lá de Pilar, que trabalhava na Fazenda Imperatriz?

– Ah, ela tá muito bem. Inclusive eu vi ela aqui hoje mesmo. Tava acompanhada dum homem bem-vestido. Devia de ser arguém importante.

– É mermo, d. Lindoca?

– E adonde qu’eu posso incontrá ela?

– Mas é facim-facim. Dêxa qu’eu insino o sinhô.

**************

Lindoca nem tinha percebido que eles estavam armados. Em poucos minutos eles rumaram apressadamente para o bairro pobre ao lado do rio, onde Juvêncio e os outros tinham almoçado. Tenório mandou um dos dois ir ao acampamento urgentemente avisar os outros do local da emboscada. Estavam muito próximos de cumprir sua missão.

****************

Eram menos de cinco horas. O sol estava já bastante baixo no horizonte. Tenório e o seu acompanhante desciam sorrateiramente na direção dos fundos da casa de Maria, com as armas em punho. Silêncio total, portas fechadas. “Eles poderiam ter percebido a movimentação”, pensou Tenório, “se assim fosse, era melhor esperar o reforço”. Porém era muito improvável, tinham sido muito cuidadosos até então. Seria uma grande surpresa para todos quando o avistassem ali.

Passou por baixo da pequena janela, esforçando-se para que ninguém na rua denunciasse sua posição. Fez um sinal para o capanga, que derrubou a porta. A casa estava vazia.

***********

Os outros capangas chegaram quase imediatamente, com grande barulho nos seus cavalos. Tenório já tinha achado a pista deles, atravessando o rio.

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6 Respostas to “Tenório”

  1. Ma Says:

    Ufa! Ainda bem que estava vazia!!

  2. Ane Brasil Says:

    caramba, vc vai fazer com que eu fique roendo os cotovelos de curiosidade!
    E Arimatéia? e Florinda?
    E Maria Lúcia?
    vixe, tá bom, eu espero!
    Sorte e saúde pra todos!

  3. Urban Says:

    Me perdi por completo…
    Preciso voltar com tempo prá dar uma lida rápida em todos e descobrir onde parei.
    Por enquanto, deixo um beijo
    🙂

  4. Ane Brasil Says:

    uai, cadê o resto, homi?
    Sorte e saúde pra todos!

  5. Aline Lima Says:

    Fico ansiosa pela continuação

  6. Ane Brasil Says:

    Aí, rapá, ou tu atualiza isso aqui de uma vez ou eu dou um jeito de chegar aí em Brasília e te faço atualizar isso na marra.
    Sim, isso é uma ameaça 🙂
    saudades.
    Sorte e saúde pra todos!

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