Nos arredores da Cidade de Goiás – Parte 2


A noite tinha sido comprida e silenciosa. Escondidos perto da cidade, Arimatéia e os outros tentavam parecer ingógnitos. Por outro lado, era difícil disfarçar o nervosismo. Juvêncio era muito conhecido por essas bandas, sabia que poderia ser descoberto a qualquer momento. Precisava chegar na casa de seu compadre Pedro Miranda para tratar de nogócios. Ele lhe devia alguns favores. Agora, longe de sua peonada, Juvêncio sabia que estava correndo perigo. Compadre Pedro poderia ser-lhe bastante útil.

Arimatéia, por outro lado, pensava em sua mãe. Como ela seria? Ela deveria ter sofrido tanto durante todos estes anos! Difícil demais saber que se tem um filho e está longe.

Na noite, os vagalumes dançavam em torno da fogueira, se misturando com as brasas que iam subindo para o céu. Arimatéia disse:

– Deu vontade de cantar. Cantar uma moda daquelas bem tristes pra combinar com essa noite de estrelas e sem lua.

Juvêncio pitava o fumo. Já tinha se esquecido do quanto gostava de andar pelo sertão de cavalo, correndo atrás de aventuras, caçando os bichos, dormindo no meio do mato. A vida podia ser boa, longe de todas as responsabilidades da Imperatriz.

– Não tem mais motivo pra tristeza. Agora vocês vão ter uma nova vida. Há de se aproveitar pra serem felizes.

Virou para o lado e dormiu. Florinda já ressonava há algum tempo. Sonhava a sono alto, com um mundo cheio de vaga-lumes brilhantes.

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– Mais um dia. É só o que a gente precisa, um dia!

Era manhã de domingo e os cabras já avistavam o Rio Vermelho.

– Se a gente andar mais rápido chega ainda hoje, de noitinha!

A cabroada do Ezequiel gritou, comemorando. Faltava pouco para o acerto de contas com o Pitanga.

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Arimatéia acordou e não viu o pai ao lado. Nem ao menos o cavalo dele estava por perto. Faltava também uma das espingardas. Ele tinha saído muito cedo, sem fazer qualquer barulho. A essa hora deveria estar na cidade, muito à sua frente.

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Juvêncio Pitanga entrou na cidade na hora que tocavam os sinos na igreja de Nossa Senhora do Rosário. O povo da cidade estava indo em peso para a celebração. Desapeou seu cavalo, tomando o cuidado de olhar bem em volta antes, pra ver se não encontrava algum dos capangas de Ezequiel.

Entrou na igreja, benzeu-se e, olhando para os santos. Era tempo do advento, a espera para o Natal. Olhou bem em volta para ver se encontrava quem ele procurava. Ela estava bem ali, num canto, olhando pra imagem do senhor crucificado.

Ele bem sabia que essa era a igreja do pretos. Não havia lugar melhor para encontrar um certo amor do passado. Maria…

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3 Respostas to “Nos arredores da Cidade de Goiás – Parte 2”

  1. Ane Brasil Says:

    Oigalê! mas isso tá mais misterioso que romance inglês!
    Caraio, seuTô agoniada pra saber o destino de Arimatéia e Florinda… e o pai bundão ainda vai rezá?
    sorte e saúde pra todos!

  2. Marília Says:

    Será que ele vai encontrá-la?

  3. Sarah K Says:

    (os caracteres estrnahos lhe perseguem, rsss)

    Que romântico o final, amei!

    E esse suspense, eu detestei … pô qualé hein Poeta… podia escrever mais um tiquin, rsss!?
    Mas que coisa!
    Chato!!!!
    hahahaha

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